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Seminário CRIA / ICS | “Redes zo’é – da pesquisa etnográfica à construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena” 

2026-06-13T00:00:00+00:00
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Resumo

A pesquisa de doutorado em curso tem como objetivo fazer uma etnografia de alguns nexos das redes de relações ameríndias nas Guianas, tendo como foco os encontros recentes entre pessoas zo’é (falantes de uma língua Tupi-Guarani, contatados no final da década de 1980 e habitantes na Terra Indígena Zo’é) e pessoas tiriyó (falantes de uma língua Caribe, contatados no início da década de 1960 e habitantes no Parque do Tumucumaque e em aldeias no extremo sul do Suriname), e entre pessoas zo’é e pessoas não indígenas, denominadas pelos Zo’é pelo termo kirahi, colonos habitantes da zona rural do Município de Oriximiná-PA (situado ao sul do território indígena). A ideia central que guia a investigação é a de descrever esses vários encontros, seus efeitos e desdobramentos. A pesquisa, nesse sentido, segue dois movimentos: de um lado, a partir dos relatos de pessoas que participaram desses eventos e de minhas próprias observações em campo, pretendo escrever crônicas etnográficas desses vários episódios. De outro, apoiado na articulação entre os relatos ameríndios e a literatura etnológica sobre a região das Guianas, procuro seguir e debater, em pequenos ensaios, as trajetórias, os conceitos e as conexões feitas pelas pessoas que participaram desses encontros. Um dos muitos desdobramentos desses encontros foi a desestabilização das relações entre os Zo’é e o Estado Brasileiro, tendo em vista que um dos motivos apontados pelos próprios indígenas para estabelecerem relações com outros povos indígenas e com colonos brasileiros era justamente o esgotamento do modelo da política indigenista que vinha até então sendo adotado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), pautada em uma premissa radical de que o “re-isolamento” (ou seja, a restrição do acesso aos bens industrializados e às informações) era a forma mais adequada de garantir a proteção do território e a continuidade do modo de vida zo’é. A partir de 2012 tem início então um processo de reorientação da política indigenista na área, fundamentada na construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da Terra Indígena Zo’é, em consonância com a recém-criada Polícia Nacional de Gestão Ambiental e Territorial das Terras Indígenas no Brasil (PNGATI). Decretada em 2012, e fruto de uma longa e ampla discussão participativa à nível nacional (envolvendo aldeias, associações, confederações, movimento indígena nacional, ONGs, Universidades, Ministério do Meio Ambiente, Fundação Nacional do Índio e agências de fomento), a PNGATI representou uma vitória dos povos indígenas e consolidou um importante instrumento da política pública indigenista e ambiental brasileira. Nesse sentido, orientada pela ideia do “bem-viver” e pela premissa de que o acesso dos Zo’é à informação é a via mais segura de garantir seus direitos, a construção do PGTA da Terra Indígena Zo’é tem seguido algumas linhas de ação que, de um modo geral, tem como objetivo garantir o acesso dos Zo’é à informações básicas, à itens que eles consideram indispensáveis para a manutenção de suas atividades cotidianas, e à relações saudáveis com as populações vizinhas. Procuro, portanto, na apresentação, apresentar e discutir alguns dos desafios envolvidos nesse complexo processo de articulação entre a pesquisa etnográfica e a ação indigenista.

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