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XIV Jornadas Internacionais de Inverno de História da Educação, Herança Cultural e Museologia

2026-05-07T00:00:00+00:00
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Educação, Memória e Mitologias Nacionais

O mundo ocidental do século XXI parece ter redescoberto as memórias em oposição ao início do século XX que valorizava sobretudo o futuro. Esta é a opinião de Andreas Huyssen, para quem “a emergência da memória enquanto preocupação, chave cultural e política nas sociedades ocidentais, um regressar ao passado” é “um dos fenómenos culturais e políticos mais surpreendentes em anos recentes” (2015, p. 9). Este revisitar de memórias a que somos compelidos, pela afirmação de discursos e memórias silenciadas, esquecidas ou desprezadas, faz emergir antagonismos, tensões na luta pelas memórias, componentes e produtoras de identidades. Obriga a revisitar e analisar os lugares de memória como produtos históricos em que a conceção de humanidade e de direitos da pessoa humana eram diversos. E para Portugal, que liderou a expansão marítima, ensaiou formas de colonização segundo um modelo pré-industrial e escravocrata, gerou uma economia mundo e foi ultrapassado pelo capitalismo industrial e o seu potencial de desenvolvimento e bélico, exige dos historiadores um esforço redobrado de pesquisa, análise e interpretação dos factos, que articule as diferentes memórias em tensão, que permita a compreensão de uma História complexa, de lutas, opressões, resistências, cooperações, intercâmbios, hibridações e transformações, de uma humanidade mais desejada do que vivida. Na década em que se comemora a Revolução liberal portuguesa e o segundo centenário da independência do Brasil, não poderíamos, enquanto historiadores da educação, esquecer este momento para revisitar as memórias coletivas dos dois países na produção das mitologias nacionais. Mitologia aqui utilizada como os contributos para as identidades nacionais que se forjaram – como o Brasil – ou se refizeram, como em Portugal.
Qual o papel da Revolução Vintista na mitologia nacional? Como se reelaborou a noção de império? Como se forjou a identidade brasileira? Que agentes foram privilegiados e que memórias e grupos foram silenciados? Qual o papel da educação nos dois lados do Atlântico? Em que medida a História ensinada pode contribuir para uma visão da complexidade do devir humano ou se limita a reproduzir mitologias nacionais que transmudam a opressão em salvação/civilização e negam o direito à memória de outros povos ou grupos?
Este é o nosso desafio para as XIV Jornadas Internacionais de Inverno de História da Educação, Herança Cultural e Museologia. O nosso foco é a educação, mas sem esquecer os seus contextos espácio-temporais.
Margarida Louro Felgueiras

Programa: https://tinyurl.com/5fmutnbu
A participação é gratuita mas de inscrição obrigatória e pode ser feita até às 18h00 de dia 8 de março em https://docs.google.com/forms/d/1Mq38yrhP-6gljEw3sTU-lO9cFqJTB1sDai615hcrfyU/viewform?edit_requested=true
Mais informações: gt.jornadasinverno@gmail.com

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