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Novas publicações

“Bhavani Ma: casta, género e religião na Índia contemporânea”, de Daniela Bevilacqua (CRIA polo Iscte)

Um retrato que recusa as leituras fáceis e devolve espessura a uma vida atravessada por vários eixos de desigualdade em simultâneo.

Daniela Bevilacqua (CRIA polo Iscte) publicou “Bhavani Ma, a Kinnar from the Valmiki Caste” na TSQ: Transgender Studies Quarterly (vol. 12, n.º 4, 2025, pp. 568-581), da Duke University Press. https://doi.org/10.1215/23289252-11925159

Bhavani Ma é uma kinnar da casta Valmiki que teve um papel destacado na fundação do Kinnar Akhara, uma ordem religiosa para pessoas de género não conforme. Partindo de um esboço biográfico, o artigo explora a complexidade do seu percurso pessoal para mostrar as formas subtis como pessoas como Bhavani navegam entre casta, género, religião e política na Índia contemporânea.


“Segurança alimentar e desigualdade social em chave antropológica”, de Anna Peñuelas Peñarroya (CRIA polo Iscte) e Mireia Campanera Reig

O que é que a antropologia tem a dizer sobre quem come, o quê, quanto e em que condições?

Anna Peñuelas Peñarroya (CRIA polo Iscte) e Mireia Campanera Reig assinam “Seguretat alimentària i desigualtat social en clau antropològica”, publicado no n.º 15 (2026) da revista (Con)textos: revista d’antropologia i investigació social, editada pelo Departamento de Antropologia Social da Universitat de Barcelona. https://doi.org/10.1344/contxt.2026.15.I-X

O texto propõe olhar para a (in)segurança alimentar não como um problema técnico ou nutricional, mas como um fenómeno social atravessado por desigualdades: de classe, de género, de origem e de território. Uma leitura essencial para quem trabalha em antropologia da alimentação, políticas públicas e justiça social.


“Religião e património na Ásia do Sul”, editores convidados Vera Lazzaretti (CRIA polo Iscte), José Mapril (CRIA polo NOVA FCSH) e Inês Lourenço (CRIA polo Iscte)

Quando é que um templo, um túmulo ou um ritual passam a ser “património”? E quem decide?

Vera Lazzaretti (CRIA polo Iscte), José Mapril (CRIA polo NOVA FCSH) e Inês Lourenço (CRIA polo Iscte) são editores convidados da secção temática Heritage and Religion in South Asia and its Diasporas, na revista Religion (vol. 56, n.º 3, 2026), e assinam a introdução intitulada “Frictions, entanglements and reconfigurations: religion and heritage in global South Asia”.

O texto propõe um novo quadro de análise para a relação entre religião e património, assente em três modalidades — fricção, emaranhamento e reconfiguração — e mostra como os discursos patrimoniais são apropriados, contestados e retrabalhados por atores muito diversos, das instituições estatais às comunidades religiosas locais e aos migrantes.

A edição conta ainda com artigos de Giacomo Mantovan (CRIA polo Iscte) e de Pedro Pestana Soares (CRIA polo NOVA FCSH).


“As energias renováveis e o idílio pastoral em Portugal”, de Luís Silva (CRIA polo Iscte)

Um moinho de vento é paisagem. Um parque eólico é… o quê?

Luís Silva (CRIA polo Iscte) assina “As Energias Renováveis e o Idílio Pastoral em Portugal”, no volume 66 (2026) dos Trabalhos de Antropologia e Etnologia.

O artigo analisa a relação entre a produção de energias renováveis e o idílio pastoral em Portugal, e o argumento é direto: a expansão destas tecnologias está a destruir esse idílio. Ao contrário das tecnologias tradicionais de aproveitamento de fontes renováveis — os moinhos de água e de vento —, os parques eólicos e as centrais solares fotovoltaicas não encaixam no idílio pastoral português, longamente celebrado na literatura de ficção do século XIX e, hoje, no mercado do turismo rural. Prova disso é a frequência com que os danos à paisagem — e, por consequência, ao turismo rural — são invocados como argumento contra a instalação destas centrais nos campos do país.